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Histórias do Bonete e do Sombrio

Postado por Edson S. Persch - 22/07/2012 ás 04:40 a.m.
Matéria/Fotos: Jeannis Michail Platon


Histórias do Bonete

Talvez a mais famosa praia de Ilhabela. Seu nome se originou de um grande donatário de terras, José Bonete, que recebeu propriedades do Reino de Portugal no início do século XVII. Lar de uma das mais tradicionais comunidades caiçaras do arquipélago, esta praia é conhecida pela arte da pesca, pelo fabrico das canoas escavadas no tronco do guapuruvu e linguajar peculiar dos nativos, que trocam o “v” pelo “b”. Seus duzentos moradores, muitos deles de pele alva e olhos claros, seriam descendentes de piratas e antigos navegadores que teriam ali aportado, como náufragos ou amotinados e que, atraídos pela beleza do lugar, nele permaneceram.


A comunidade possui uma linda capela, erguida em devoção à Santa Verônica. Dentro dela está um belo quadro da santa, cuja origem e autoria são desconhecidas. No mês de julho, realiza-se sua tradicional festa composta por novena, cantos, rezas e baile. Durante a missa, homens ficam de um lado, mulheres de outro, fazem a cantoria ainda em latim. O templo é ornado pela “juizada”, patronos ou festeiros que se revezam ano a ano. O destaque fica por conta do leilão de prendas, sempre conduzido de forma bem humorada.


Histórias do Sombrio

Este pequeno abrigo é rico em história. Nele aportavam os piratas. Tornou-se o derradeiro destino de Thomas Cavendish, enforcado por seus marinheiros amotinados após saque ao povoado de Santos. Depois, serviu como um dos últimos locais no Brasil para desembarque do tráfico clandestino de escravos. Nas primeiras décadas do século XX, acolheu grande comunidade pescadora, formada por caiçaras e japoneses, que produziam com técnicas artesanais de pesca e industriais de processamento, o iriko, como era chamado pelos orientais o peixe seco para venda na capital paulista. Neste remanso foi introduzido o cerco, equipamento trazido pelos japoneses, que incrementou a pesca em nosso litoral. De grande eficácia, permitia o aprisionamento de cardumes, sem sacrificar os peixes pequenos.


Durante quarenta anos viveu no Sombrio, como um eremita, o pesquisador Paul Ferdinand Thiry, na obstinada procura do chamado Tesouro de Monte Cristo ou Tesouro da Trindade ou Tesouro do Sombrio. Este pequeno paraíso de águas verdejantes localiza-se na borda oeste da Baía dos Castelhanos, com acesso por trilhas no meio da mata ou por embarcação. A tranquilidade do ancoradouro, proporcionada pelos morros, oferece ótimas condições para pesca e mergulho.





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